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23 | VERSALHES

  • Foto do escritor: rpegorini
    rpegorini
  • 14 de jun. de 2025
  • 11 min de leitura

Atualizado: 1 de jul. de 2025

Dia 23 - 19 de janeiro de 2008 – Paris


O sábado estava reservado para visitarmos o Palácio de Versalhes. Mas antes deixa eu contar mais uma do Little Hotel, na Rue Pierre Chanson (um endereço a ser evitado). Acordamos, tomamos banho, nos vestimos e descemos para o café. Ao chegar lá embaixo, na cantina, havia apenas nós. Estranhamos. Cadê todo mundo??? Então, sentamo-nos e esperamos. Dali a pouco, começamos a ouvir vozes vindas da recepção. Era o antipático recepcionista do hotel acompanhado de um casal, vinham numa tagarelice infernal. O recepcionista nem nos olhou, foi direto para a cozinha seguido do casal francês. “Fon fon fon” pra cá; “fi fi fi” pra lá, parlapatórios mil, e a nossa fome se agigantando. Parecia que nem existíamos. O cara serviu o casal, que, obviamente, era muito chegado a ele. E os nossos ouvidos, bem cedinho, ainda com as coisas do Louvre a fantasiar nossas mentes, coitadinhos, sucumbiam atropelados pela avalanche de palavras que os três trocavam em altos decibéis. Finalmente, ele olhou para o nosso lado e perguntou se queríamos café com leite. “Oui. Merci beaucoup”. Sem interromper a conversa ultrassônica que nos atordoava, adentrou a cozinha e trouxe de lá os nossos dois croissants e nossas duas bolachinhas com as xicarazinhas de café. Tomamos o petit dejeneur em segundos, primeiro porque nem dava para demorar muito mesmo, comendo aquela miséria de café, e segundo porque ansiávamos desesperadamente por um pouco de paz e silêncio. Não conseguíamos nem pensar direito com aquele falatório ensurdecedor. E os “queridos” nem se davam conta que estávamos incomodados, simplesmente nos ignoravam.

Saímos correndo dali. Pegamos um trem para Versalhes, que é uma cidadezinha satélite de Paris, quase um subúrbio, onde fica o mais famoso chateau do mundo. Logo na entrada do palácio sentimos saudades da organização do Louvre. Uma fila de umas trezentas pessoas se arrastava vagarosamente, “minhocando” em direção a uma portinha minúscula onde se compra os ingressos para o palácio. Impressionantemente, apenas uma pessoa (uma senhora muito simpática, por sinal) se empenhava em cobrar a entrada daquela multidão. Uns pagavam com cartão; outros com cheque; outros com dinheiro... a mulher era uma santa... atendia a todos com uma educação e uma paciência admiráveis...  E não vi ninguém da administração demonstrando nenhuma intenção de abrir mais uma bilheteria naquele sábado cinzento. Sábado, hein... Decerto a administração imaginava que a fila não ficaria muito devagar com umas quinhentas pessoas (a cada momento aumentava em cem pessoas a fila) se digladiando por entradas, muito menos que essas quinhentas pessoas pudessem ficar “levemente” irritadas por tanta demora numa filazinha dessas. Muita gente mal-educada tentava furar a fila, e ninguém dava muita bola para a sacanagem.  Instalou-se um clima de “salve-se quem puder”. E depois da fila dos ingressos, tinha a fila da revista na mochila... a fila para recolher os ingressos... a fila para o banheiro... E de fila em fila, o tempo escoava ininterruptamente comendo o resto do dia que imaginávamos destinar para a contemplação do palácio.


Mas uma vez dentro de Versalhes, a coisa muda de figura. Aí já não dependemos tanto da organização, que está lá só para não deixar que alguém suma com algum espelho, fure algum quadro, ou derrube e depois pisoteie qualquer estátua exposta. A gente vai acompanhando o fluxo de pessoas, que segue um roteiro pré-determinado de visitação. E tem coisa pra ver, hein... Apesar de saber que o palácio foi praticamente destruído e depredado nos anos do terror revolucionário, a monumentalidade do lugar é uma coisa realmente comovedora. Pois uma vez dentro do palácio de Versalhes, a nossa única preocupação era babar pouco para não molhar a roupa. Salões e mais salões de obras de arte que resistiram aos saques, às depredações e finalmente ao abandono. Quem viu o filme “Maria Antonieta” vai se lembrar desses quartos, desses jardins maravilhosos e do palácio de uma maneira geral. Aliás, o filme é uma excelente forma de se compreender os costumes e a alienação reinante naquelas paragens e como isso acabou por levar à selvageria que praticamente exterminou até mesmo os revolucionários de primeira hora.  


A primeira menção à aldeia de Versalhes, a cerca de 20 km de Paris, encontra-se num documento datado de 1038, a “Charte de l'abbaye Saint-Père de Chartres” (Carta de Direitos da Abadia de Saint-Père de Chartres). Entre os signatários da Carta encontra-se um Hugo de Versalhes, alcunhado a partir do nome da aldeia. Em 1623, Luís XIII constrói ali um pavilhão de caça, em uma área pantanosa e pouco valorizada, logo substituído por um pequeno castelo de tijolos e pedras. Com a morte do ministro Mazarin, em 1661, Luís XIV assume plenamente o poder e decide transformar o castelo de seu pai em um símbolo do absolutismo real e da centralização do poder. Luís XIV desejava uma obra que refletisse seu poder quase divino como "Rei Sol".


O complexo foi ampliado em várias etapas, com destaque para a parte arquitetônica, coordenada por Louis Le Vau e depois por Jules Hardouin-Mansart. Os jardins, fantásticos, foram projetados por André Le Nôtre, o genial paisagista que redesenhou toda a Paris como a conhecemos hoje. O Galerie des Glaces (Salão dos Espelhos), com mais de 73 metros de comprimento, “crème de la crème” dessa obra-prima do século XVII, foi elaborado sob a supervisão de Charles Le Brun, que criou os ambientes mais maravilhosos da construção. São mais de 67 mil m² construídos, cerca de 2.300 cômodos, incluindo salões, galerias, capelas, apartamentos reais, e salas administrativas. Duas mil janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras, recebe em média oito milhões de turistas por ano. Considerando os jardins, com fontes ornamentais, estátuas mitológicas, bosques secretos, canais navegáveis, capela real, os minipalácios Grand Trianon e Petit Trianon, a Orangerie (uma estufa monumental para laranjeiras e plantas exóticas), os estábulos reais que abrigavam os cavalos e carruagens da corte e mais o imenso Grande Canal, o Palácio de Versalhes estende-se por 800 hectares. Vejam que apenas descrever o palácio já é uma coisa majestosa!

A partir de 1682, o Palácio de Versalhes se torna residência oficial da monarquia francesa e sede do governo. Luís XIV exige que a nobreza viva no palácio sob sua vigilância, minando sua autonomia política. Durante os reinados de Luís XV e Luís XVI, Versalhes permaneceu como símbolo do poder imperial francês. Em outubro de 1789, após a marcha das mulheres sobre Versalhes, Luís XVI e Maria Antonieta são forçados a se mudar para Paris, para o Palácio das Tulherias, e Versalhes é despojado de seu papel político. O palácio é esvaziado de seus habitantes e de seus móveis mais preciosos e muitos objetos são vendidos em leilões públicos para arrecadar fundos para a nova República. Versalhes é fechado ao público e parte de sua estrutura passa a servir a fins administrativos ou militares. Durante o Império de Napoleão Bonaparte (1804–1814), é totalmente ignorado: o monarca corso prefere outros palácios, como Fontainebleau ou as Tulherias. A seguir, Luís XVIII e Carlos X também demonstram pouco interesse em utilizá-lo. Em 1830, o palácio quase é demolido devido ao seu lamentável estado de deterioração. O reerguimento do palácio ocorre graças ao rei Luís Filipe I, que a partir de 1833 transforma Versalhes em um museu de História da França: "À toutes les gloires de la France" (A todas as glórias da França). Ele remove partes dos antigos aposentos reais para dar lugar a grandes galerias com pinturas históricas. Embora essa reforma tenha salvado o edifício da ruína, também apagou partes originais da corte de Luís XIV. Durante a ocupação prussiana, o rei Guilherme I da Prússia é proclamado Imperador da Alemanha no Salão dos Espelhos, em 1871, episódio que agrava o simbolismo do palácio como memória do poder francês perdido. A partir do início do século XX, com apoio de figuras como o filantropo John D. Rockefeller Jr., o palácio passa por grandes campanhas de restauração e retorna como símbolo nacional e patrimônio cultural da França. Desde então, Versalhes passa a se constituir um dos principais museus da história da França, Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos monumentos mais visitados do mundo.



O primeiro-andar do edifício principal, o piano nobile, foi originalmente destinado a dois apartamentos, um para o Rei e o outro para a Rainha. O Grand appartement du roi ocupava a parte Norte do palácio e o Grand appartement de la reine a parte Sul. Hoje em dia fica claro que os apartamentos reais ficavam um em cada ala para que pudesse se dar vazão à intensa atividade romântica do casal real (ou casais reais)  e isso não necessariamente acontecia entre cônjuges. Aquele negócio de “a preferida do rei” não se referia à rainha... se é que me fiz entender a contento. E mesmo o fato de o casal real coexistir em regiões do mesmo palácio não foi suficiente para envergonhar a pouca-vergonha. Mais tarde, em 1687, Luis XIV destinou a si mesmo um “palácio rural” no imenso parque florestal que emoldura Versalhes. Chamou-o de Grand Trianon, construído para servir de refúgio à sufocante corte de puxa-sacos, os quais eram capazes de ficar acordados a noite inteira somente para serem os primeiros a atender às “necessidades matinais reais”.   Vai ser puxa-saco assim lá em... Versalhes!! Le Grand Trianon virou um reduto onde o rei poderia se esconder com sua família e amantes, não necessariamente nessa ordem, sobretudo considerando a preferida Madame de Montespan. A quinhentos metros dali, percorrendo uma caminhada tranquila de cerca de 10 minutos, passando por belos jardins, bosques e caminhos ladeados por árvores, o Petit Trianon foi erguido entre 1762 e 1768, por ordem de Luís XV. Idealizado inicialmente para Madame de Pompadour, que faleceu em 1764, antes da obra ser concluída, foi entregue à nova favorita do rei, Madame du Barry, que o utilizou até a morte de Luís XV em 1774. Posteriormente, o rei Luís XVI presenteou o Petit Trianon à sua esposa, Maria Antonieta, que o transformou em seu célebre refúgio bucólico, criando ali inclusive o famoso Hameau de la Reine (Aldeia da Rainha), para cometer suas próprias perversidades eróticas.



Para se deslocar por entre os jardins de Versalhes, existe um trenzinho. Porque meu irmão, se você está pensando em ir do palácio principal até o Petit Trianon, e depois até o Grand Trianon, vai caminhar um bocado. E lá estávamos bem faceirinhos, eu e a Maria, sentadinhos no trenzinho no ponto inicial. Solitos no único banco ocupado do trem – o nosso, por nós ocupados. Eis que toca a sinetinha do trem anunciando a saída do mesmo. E um bando, mas eu digo: UM BANDO de turistas italianos corre até o trenzinho e se acomoda nos bancos restantes. Ligeirinho todos os bancos vão sendo ocupados e... graças, graças, graças!!!... o nosso continua lindamente apenas comigo e a Maria sentados. Mas com a nossa sorte... estamos quase saindo quando chegam correndo dois casais de italianos e pegam o trem já andando. Adivinhem onde il animale de dois metros de altura e dois de largura inventa de se sentar? Bem na minha frente, fazendo com que nossas pobres perninhas tivessem que ser “recolhidas” para caber os descomunais joelhos de lutador de sumô do gringo. O coitado até que não era tão gordo assim, o vagãozinho do trem é que não foi feito para seres gigantes. Para fugir do processo inevitável de esmagamento e asfixia, descemos na primeira parada possível. E isso se deu na parada do Petit Trianon. Embora estivesse fechado o prédio, curtimos os jardins e comemos tranquilamente o nosso almoço, que consistia num maravilhoso sanduíche de baguete comprado perto da Gare de l’Est, numa padaria típica parisiense (nunca compre sanduíche em estações – custam o dobro do preço e têm a metade da consistência de um comprado numa padaria tradicional).



Vejam então que Versalhes não se resume somente a um palácio, mas compreende um complexo gigantesco, luxuosíssimo, com lugar para os reis, os filhos dos reis, minipalácios remotos para darem uma escapadinha de vez em quando (afinal, governar é deveras estressante e pode até dar uma dor de cabeça colossal em algumas pessoas...), a imensa corte dos puxa-sacos, a soldadesca, os trabalhadores, os escravos, os animais, enfim. Tem que acomodar todo esse pessoal e ainda ter lugar para os quadros, as estátuas, os tapetes, os móveis... não pense nunca em destinar apenas uma tarde para essa visitação... tem-se que gastar o dia inteiro perneando pelos jardins e ainda usar o trenzinho (de preferência sem gringos por perto) para não se cansar muito. Só o que não tinha no palácio, nas épocas áureas, era banheiro. Dizem que os jardins eram fantasticamente enormes não somente para deleite da nobreza, mas também para “acomodar” necessidades naturais inadiáveis. Por isso tanta moitinha pra cá e pra lá. E o planejamento do jardineiro real (Le Nôtre) adquire uma importância, digamos, sanitária.


Não esqueça também que foi em Versalhes que a Alemanha assinou, em 28 de junho de 1919, o tratado que a despojaria de qualquer glória militar, condenando-a a uma exorbitante indenização aos países vencedores da I Guerra Mundial e a assumir total responsabilidade pela guerra (Artigo 231), a chamada cláusula da culpa. Tratado assinado no mesmo Galerie des Glaces, salão onde, em 1871, havia sido proclamado o Império Alemão — um gesto carregado de humilhação simbólica para a Alemanha. Os alemães derrotados tiveram que pagar enormes ressarcimentos aos países vencedores, estimados em 132 bilhões de marcos-ouro, o que resultou na miséria extrema durante os vinte anos seguintes. A Alemanha considerou o tratado humilhante e o apelidou de Diktat (“tratado imposto”) de Versalhes, o qual alimentou um sentimento de revanche na sociedade alemã e foi instrumentalizado politicamente por Adolf Hitler, que prometeu revogar o acordo — um dos fatores que levaram à Segunda Guerra Mundial.

À noite, já no hotel, peguei um documentário muito interessante na televisão. Mas antes, um pequeno comentário sobre TV na Europa. Em todas as cidades, víamos televisão bem cedo, logo que acordávamos, para saber sobre a previsão do tempo e pescar alguma notícia sobre a cidade em que estávamos. Depois, à noite, assistíamos aos programas ou filmes para relaxar da correria do dia. Gente. Não existe nada, mas nada mesmo, mais brega do que a televisão italiana. Quem pega a RAI por streaming sabe do que estamos falando. Os noticiários deles são verdadeiras piadas. Pegam os principais jornais da Europa e do mundo e vão lendo as notícias na frente das câmeras... credo... o nosso radiojornalismo de Porto Alegre dá “de relho” no telejornalismo italiano. É muito mais interessante e profissional sem precisar de imagem para apoiá-lo. O telejornalismo italiano parece usar os conceitos do ambiente de rádio, mas sem considerar que junto está sendo veiculada a imagem. Os espanhóis têm um jornalismo mais ágil, procurando fazer uma linha mais investigativa. Mas o design é tosco, quase amador. Ainda usa cartões de papelão nos créditos (em 2008). Os franceses têm o design mais bonito. Moderno. Vanguardista. Mas o conteúdo dos programas é muito ruim. Quase banal. Muita futilidade e muita conversa inútil, tentando ser simpático (o que eles não são), para abordar assuntos que podem ser tratados em poucos minutos. Falta-lhes o timing americano, coisa que a Globo assimilou da Time-Life e “escolou” todas as emissoras brasileiras. Na Áustria não entendemos nada do idioma, então colocávamos na BBC, por ser em inglês. Mas lembro que até filme pornô (e sem censura) rolou na TV austríaca... gozado como a gente lembra dessa coisas, né? A TV britânica é muito boa. Tem filmes muito bons e programas que dá para ver sem lembrar do Ratinho. São como BBCs mais lights, com mais entretenimento e jornalismo (muito profissional, mas com um padrão estético que fica devendo ao francês).

Voltemos ao documentário. Era uma produção francesa recente na época – deve ter sido produzida em 2007 –, de muita qualidade, mostrando aspectos sociais do povo brasileiro. A reportagem começava entrevistando prostitutas-mirins cariocas (o áudio nos chegava um pouco prejudicado porque as entrevistadas, brasileiras, começavam a falar em português e lá vinha a tradução em francês, com o volume muito mais alto). Diziam que muito cedo tinham que abraçar aquela vida de infortúnios. A história pessoal de cada uma começava sempre assim: “engravidei do meu namorado, ele sumiu, precisei de dinheiro ...” e acabavam se virando na rua, na praia, na chuva e na fazenda. O documentário “virava a página”, entrevistando outro personagem. Agora, a costureira que fazia fantasias para escolas de samba. Depois, um vigia-noturno, depois um surfista, depois um motorista de táxi. As histórias sempre convergindo para o mesmo ponto... então saquei a intenção do programa.  O povo brasileiro vive o ano inteiro num purgatório social, familiar e pessoal para que, num belo dia, iluminado por lantejoulas, paetês, plumas, isopor e cola, desperte de uma vida miserável e nula de perspectivas para o encantamento do carnaval. Para se transmutar de chumbo em ouro, de mendigo em príncipe. E aqui eles enganchavam na história francesa, repleta de referências monárquicas. Lembre-se que o nosso carnaval é inundado de alusões ao tempo do império. O balanço final do documentário resumia a realidade brasileira a uma existência cheia de dias infelizes, torturantes, vazios e desprezíveis, equilibrando-se a vida desses seres infelizes graças aos pequenos momentos de brilho, de luminosidade, de importância e esplendor, que é a chegada do carnaval. E dê-lhe cenas de mulatas rebolando, closes nos corpos das passistas suando, seios balouçantes, nádegas frenéticas, coxas infernais, pandeiros batucando, cuícas gemendo, crianças sorrindo, o povo dançando e pulando.


Voltemos a Versalhes. A humanidade sempre será grata pela riqueza da culminância da arte ali elaborada em um nível de excelência e genialidade absurdas, estejamos sempre despertos para a devida apreciação dessa conquista admirável do gênero humano. Mas nos daremos conta de que podemos também resumir o que acontecia dentro e fora das paredes palacianas a uma espécie de carnaval permanente, materialização do egocentrismo guloso da nata da pior nobreza francesa de todos os tempos, desfilando vaidosamente pelos salões espelhados da indecência e da luxúria, embriagada de ouro, devassidão e alienação.

Até 1789.

 

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