21 | Arte, Guerra e Loucura andam de mãos dadas em Paris
- rpegorini
- 25 de mai. de 2025
- 13 min de leitura
Atualizado: 3 de jun. de 2025
Dia 21 - 17 de janeiro de 2008 – Paris
Segundo dia em Paris. Doce despertar para o café da manhã... ou, para não despencar desse sonho, flutuando na Cidade Luz, “petit déjeneur”. Sete horas da manhã e já ouvíamos vozes ecoando pelas paredes, vindas da sala de refeições no andar debaixo. Ficamos curiosos e nos vestimos, lépidos e assanhados. Descemos. Seis ou sete pessoas conversavam festivamente no salãozinho-refeitório, minúsculo, do hotel. Algumas falando em inglês, outras falando em francês. Procuramos o balcão ou o lugar onde pudessem estar as coisas do café: cafeteira, leiteira, bolachas, pães, chimias, frutas. Nada, nem um potinho de manteiga. Nenhuma margarina, nenhuma chimia à vista. As mesas estavam postas: xícaras, talheres, guardanapos. Meio perdidos e desorientados pelo inesperado da situação, nos conformamos mutuamente: que seja!
Sentamos e esperamos a moça da copa nos atender. Ela veio e nos perguntou se queríamos café. “Oui, merci”. Pensei com meus zíperes: “Mas será que alguém desceria nesse antro apertado e barulhento, às sete da manhã, com a intenção de NÃO TOMAR CAFÉ?”. Voltou com duas xicarazinhas pequenas de café preto e uma cestinha com duas (DUAS) bolachinhas, dois (DOIS) croissants e dois tabletezinhos de manteiga. Para mim e para a Maria. E acabou. C'est fini! Afastou-se silenciosamente estampando uma fisionomia que produziu em nós o efeito de desistir imediatamente de fazer qualquer pergunta sobre o café ou sobre qualquer coisa sobre a face da terra. Enquanto isso, a turma em volta não parava de falar de forma ensurdecedora. Shoin shoin shoin pra cá e pi pi pi pra lá. Inoportunos e desagradáveis, sem a menor consideração pela nossa tentativa de lanchar com algum mínimo sossego e de nos conectar de forma tranquila com o mundo parisiense a ser explorado naquele dia.
Acostumados com o banquete matinal do Hotel Stein, saímos da mesa ainda com fome. Naquele dia parecia que iríamos gastar mais no almoço... e bem mais cedo que o planejado. Qualquer viajante sabe que um bom e lauto (mas lauto mesmo) breakfast do tipo continental (buffet) em hotéis é uma excelente estratégia para economizar verba em lanches antes do almoço, que pode ser feito em algum período entre as 14h e 15h. Ou seja, iríamos certamente gastar algum dindim valioso para comprar reforço alimentício ali pelas 10h.

O metrô da Gare de l’Est nos levou para o bairro chamado Quartier Latin, uma área que fica na margem esquerda do Sena, em torno da Universidade de Sorbonne. E aqui, gente, precisamos abrir um parêntese importante para falar um pouco sobre Sorbonne, um dos símbolos mais prestigiosos da educação, da cultura e do pensamento crítico no mundo ocidental. Está profundamente associada à Universidade de Paris, uma das primeiras universidades da Europa, formada entre 1150 e 1250, um período em que resolveram integrar colégios sediados na região de Notre-Dame. A coisa evoluiu para uma federação de escolas catedráticas, que funcionavam, na época, como centros de ensino, moradia e formação de estudantes. Um desses colégios, fundado em 1257, foi o Collège de Sorbonne, criado por Robert de Sorbon, teólogo e capelão do rei Luís IX (São Luís). Sorbonne foi uma das primeiras universidades do mundo a organizar o ensino superior de forma sistemática, com currículos, graus acadêmicos (bacharelado, mestrado e doutorado) e um modelo que seria exportado para o resto da Europa e depois para o mundo todo.
Essas antigas escolas anexas à catedral eram administradas por um chanceler, uma autoridade eclesiástica que autorizava quem podia ensinar e quem podia obter graus acadêmicos. O ensino era focado inicialmente na formação do clero, mas com o tempo atraiu também leigos interessados nos saberes da época. É claro que somente os membros de famílias abastadas, que podiam pagar fortunas e tinham peso aristocrático na sociedade da época, conseguiam ser aceitos para frequentar esses núcleos de conhecimento que dominariam o pensamento europeu por séculos. Nichos onde fé e razão dialogavam intensamente, moldando o pensamento medieval e abrindo caminho para a formação das universidades europeias. Foi a partir da Sorbonne que os estudantes franceses coordenaram as Barricadas de Paris em maio de 1968, que mudaram todo o sistema educacional francês, derrubaram o presidente Charles de Gaulle e inspiraram estudantes de todo o mundo pela causa revolucionária que combinava insatisfação estudantil, demandas trabalhistas e uma contestação mais ampla à ordem estabelecida — política, social e cultural. Um momento-chave na história da França que teve impacto global nas lutas por liberdade e reformas sociais na história da civilização ocidental.
O Quartier Latin continua sendo um bairro boêmio muito frequentado por estudantes (ora!) e intelectuais, concentrando alguns dos bistrôs mais famosos de Paris, como o Café de Flore, na Boulevard Saint-Germain. Era lá que a turma de Jean-Paul Sartre se reunia para conversar e salvar o mundo das ideias de si mesmas. Onde os entendimentos sobre princípios fundamentais da existência humana e sobre angústias orbitando o sentido da vida eram proclamados entre garrafas de vinho, xícaras de café, sólidas doses de uísque falsificado e conhaque barato. Desembarcamos do metrô na estação Odeon, Boulevard Saint-Germain, e, seguindo nosso roteiro, procuramos a Rue de Varenne, onde fica o Musée Rodin.
Vamos falar um pouquinho sobre Rodin porque, gente, vale a pena.






Diz a lenda que as primeiras experiências de Auguste Rodin (1840 – 1917) foram na cozinha de sua mãe, modelando a massa que ela usava para fazer pão. Gênio precoce, começou a ter aulas em academia aos 14 anos. Sua primeira obra, “L’Homme au nez cassé” (Homem de Nariz Quebrado), foi rejeitada no Salon de Paris, a tradicional mostra de obras de arte dos membros da Académie Française, que interpretou o estilo como “obra inacabada”. Rodin era ainda muito jovem para defender sua arte e faltou à banca entender que toda a criação desse mestre se basearia no conceito de “non finito”. Qual seja: uma obra que foca mais concentradamente uma parte essencial da realidade pode representar de forma muito mais profunda a essência de um determinado aspecto e causar muito mais impacto do que a representação do objeto completo. Assim, nascem das mãos desse visionário figuras que expressam emoções profundas, muitas vezes de forma inacabada, imperfeita e fragmentada, refletindo a densidade emocional da condição humana. Por esse motivo você verá a maioria dos trabalhos desse artista concentrando o olhar principalmente em detalhes do corpo (por exemplo: mãos, torsos etc.). Rodin tentou participar do Salon desde a década de 1860 e foi repetidamente recusado. Um episódio importante de rejeição e escândalo ocorreu com sua obra “L’Âge d’Airain” (A Idade do Bronze), apresentada em 1877 em Bruxelas e depois no Salon de Paris. A obra foi acusada de ter sido feita a partir de um molde direto do corpo humano, tamanha era sua fidelidade anatômica — o que era uma acusação grave, pois equivalia a fraude na escultura acadêmica. Isso causou um enorme escândalo e atrasou seu reconhecimento oficial. Rodin precisou provar que a obra foi esculpida à mão, usando apenas modelos vivos como referência, e não moldes diretos. Rodin foi classificado por alguns como pertencendo à Escola Impressionista; por outros, à Escola Simbolista. Mas é unanimemente considerado o pai da escultura moderna, tendo rompido com os padrões acadêmicos do século XIX e introduzido uma abordagem profundamente expressiva, dinâmica e psicologicamente elaborada.
Camile Claudell foi sua aluna, depois assistente... e depois amante. Muitos trabalhos deles são confundidos entre si. Com apenas 19 primaveras, ela começou a frequentar aulas de escultura no ateliê de Rodin, então com 43 anos, junto com um grupo de jovens artistas em 1883. Uma jovem culta, talentosa, atraente e charmosa, com dom verdadeiro para ser escultora. Quando seu relacionamento com Camille começou, Rodin já vivia com Rose Beuret há mais de vinte anos. Com ela teve um filho, mas Rodin nunca chegou a reconhecê-lo oficialmente. Rose parecia uma mulher simples, discreta, mas tinha uma força silenciosa que a mantinha, de algum modo, no centro da vida dele — mesmo enquanto ele se envolvia com outras mulheres. Leal a seu herói até o fim, Rose e Rodin só casariam quando ela já tinha setenta e dois anos, poucos meses antes da morte dos dois, em 1917. Camille Claudel, por sua vez, era muito mais do que uma jovem escultora apaixonada. Ela era brilhante, intensa e talentosa — talvez talentosa demais para o seu tempo. O rompimento com Rodin, somado à rejeição do meio artístico e às tensões familiares, mergulhou Camille em uma espiral de solidão e desespero. Em sua crise, destruiu várias de suas próprias obras, como se quisesse apagar-se do mundo que lhe parecia tão hostil. Diagnosticada com delírios de perseguição, foi internada em um hospital psiquiátrico em 1913, onde permaneceu pelos trinta anos seguintes, até sua morte. Seu médico enviou cartas à família, afirmando que Camille estava em condições de voltar à vida fora do hospital, mas sua mãe e seu irmão, Paul Claudel, nunca atenderam a esses pedidos. Paul a visitava raramente — visitas espaçadas por anos, décadas. E Camille, vivendo entre delírios e lampejos de lucidez, escreveu a ele, pouco antes de morrer:
— “O que eu fiz para estar tão sozinha?”
A partir de 1911, o governo francês decidiu que o Hôtel Biron seria destinado ao uso público e cogitava transformá-lo em um prédio institucional. Rodin propôs, então, doar todo o seu acervo de esculturas, desenhos e arquivos ao Estado francês, com a condição de que o Hôtel Biron fosse transformado em um museu dedicado à sua obra e que ele pudesse viver lá até sua morte. Essa proposta foi aceita oficialmente em 1916, um ano antes de sua morte. O Musée Rodin foi inaugurado em 1919.
Interessante nesse museu (e em muitos outros que visitamos na Europa) é que havia uma turma de pequenos estudantes visitando as salas e interagindo com as obras. Nessas horas, batia uma inveja gigantesca do sistema educacional europeu, que faz com que as crianças conheçam, desfrutem e valorizem este infinito acervo à disposição em qualquer parte do continente. Lapida um amor à cultura que é um sonho ainda distante em nosso país. Nessa aula, a professora pedia para seus alunos expressarem com o próprio corpo as obras ali expostas. Passamos por eles bem quando estavam mostrando uns aos outros a pose do “Pensador”. Muito interessante a técnica proposta: molda uma intimidade com a arte de forma lúdica e intensa, incorporando as principais qualidades da obra, uma atitude artística extremamente propositiva. Em Paris, mais do que em qualquer outro lugar, vê-se por todos os recantos estudantes de arte desenhando (imagine quantas escolas de artes deve haver em Paris) a partir dos trabalhos expostos em museus. E nesse do Rodin havia jardins lindos, onde, a cada momento, deparamo-nos com uma obra-prima em bronze ou mármore fincada num canteiro deslumbrante ou numa trilha fantástica. Um ambiente extraordinário para estudo artístico.

Saindo do Rodin, fomos ao Hotel National des Invalides, praticamente ao lado. É um palácio monumental, que ocupa inteiramente uma quadra enorme, um imponente complexo arquitetônico localizado no 7º arrondissement de Paris, na margem esquerda do rio Sena. Foi mandado construir por Luis XIV, o Rei Sol, em 1670, para abrigar os soldados que voltavam estropiados das guerras em que a França se envolvia, para que "ceux qui ont exposé leur vie et prodigué leur sang pour la défense de la monarchie (...) passent le reste de leur jours dans la tranquillité” (aqueles que expuseram as suas vidas e derramaram o seu sangue pela defesa da monarquia (...) passem o resto dos seus dias na tranquilidade). Diz o édito Real de 1670. Foi uma das primeiras instituições de assistência social para veteranos na Europa, uma inovação social no século XVII. É enorme. Gigantesco. Monumental. Imenso e majestoso como o Ego da França do Século XVII, Projeto de Libéral Bruant, com a famosa cúpula dourada projetada por Jules Hardouin-Mansart, que é uma das silhuetas mais reconhecíveis do horizonte de Paris.

Hoje sedia vários museus relacionados ao tema da guerra. Mostra a evolução da arte militar, da tecnologia e das estratégias de defesa ao longo dos séculos. Abriga uma das maiores e mais completas coleções do mundo de miniaturas representando vestimentas e armas militares desde a Antiguidade. Armaduras, pistolas, espadas, lanças, canhões, seções abordando a “arte” da guerra em vários países (a seção sobre o Japão, com seus samurais e cultura milenar sobre o assunto é absolutamente magnífica), além de algumas esquisitices tais como aqueles capacetes com lugar para colocar os bigodes. Outro museu interessantíssimo expõe itens (artefatos de guerra, fotos, vídeos, filmes, vestimentas, maquetes, armas, etc, etc etc.) sobre as guerras recentes da França. Como por exemplo, artefatos da época da resistência aos prussianos, em 1870, quando Paris foi defendida (inutilmente) atrás de barricadas nas ruas da cidade. Os prussianos ganharam a guerra. Ali tem tudo sobre a I e a II Guerras Mundiais. Inclusive com o interessantíssimo caso dos táxis de Paris, (I Guerra Mundial) que, por falta de condução apropriada, acabaram se reunindo e levando os soldados ao front. De táxi. Na catedral, pode-se visitar o túmulo de Napoleão (que é praticamente um sarcófago), junto com seus irmãos Joseph e Jerome Bonaparte, além das figuras militares mais importantes da França, como o Marechal Foch, herói da I Guerra Mundial.

Depois de tanta guerra, saímos para tomar um ar e passamos pela ponte Alexandre III, considerada a ponte mais bela e ornamentada de Paris, além de ser um dos maiores símbolos da amizade diplomática entre a França e a Rússia no final do século XIX. Absolutamente linda! Atravessamos rapidamente o Jardim das Tulherias, passamos pelo Petit Palais e pelo Grand Palais. Tudo isso procurando um mísero botequinho, ou até mesmo uma carrocinha de cachorro-quente pra comer alguma coisa. Andamos horrores, sempre passando por avenidas enormes, jardins, parques e praças e... nada... o estômago colado nas costas, devia ser já umas 14 horas e nós só com aquele mísero croissant e bolachinha no estômago. Deve ter alguma lei que proíba a venda de alimentos nessa região, porque não é possível que nem uma única vendinha a gente ache nesse trajeto. Voltamos para a margem esquerda e procuramos entre os prédios da Rue Anatole France. Nada. Decidimos entrar numa das ruas transversais e acabamos encontrando, finalmente, um típico mercadinho francês. Com baguete e tudo. Sentamo-nos num banco da rua e enchemos o pandulho. Revigorados, rumo ao Museu d’Orsay.


O Musée d’Orsay ocupa um edifício que era originalmente a Gare d'Orsay, uma estação ferroviária construída em 1898 para inaugurar uma linha ligando Paris a Orleans, com vistas à grande afluência de público que se previa para a exposição universal de 1900. Ainda conserva o seu imponente relógio no átrio principal. Durante a II Guerra Mundial serviu como estação de correio, que foi fechada em 1973. Em 1977, o governo francês decidiu transformar o prédio num museu, sendo inaugurado em 1986 por François Miterrand. O Orsay cobre o período que vai desde onde termina a cronologia do Museu do Louvre (até 1848) até onde começa a do Centro Pompidou (arte moderna e contemporânea a partir de 1914). Dessa forma, estabelece uma ponte perfeita entre o classicismo e a modernidade. Detém as principais obras dos impressionistas, naturalistas, simbolistas, realistas, pós-modernistas etc., etc. Isso traduzido em nomes significa se encantar diante de quadros de Van Gogh, Monet, Manet, Cézanne, Degas, Matisse, Mondrian, Münch, Pissarro, Renoir, Rodin, Tolouse-Lautrec, Whistler, e muitos, muitos outros gênios. O museu é essencial para compreender os movimentos que romperam com a tradição acadêmica e pavimentaram o caminho para a arte moderna, especialmente o Impressionismo e o Pós-impressionismo. Essas correntes revolucionaram o modo como o mundo passou a ver a luz, a cor, a forma e até o próprio ato de pintar. Fiquei pensando no valor de todas estas obras agrupadas num único prédio. É incalculável. Deve ter todos os sistemas de segurança do mundo. Descrever o d’Orsay é difícil porque é um lugar de admiração infinita. Apenas para citar uma experiência, não esquecerei jamais a ocasião em que estive frente a frente com as obras de Van Gogh. Nenhuma fotografia, nenhuma filmagem, nenhuma descrição jamais serão capazes de reproduzir a fúria da genialidade expressa em cada uma das pinceladas, seu relevo, sua centelha de alma capturada num gesto aprisionado pela mente, pelas tintas e pelas cores do mestre. Rapaz, só estando lá para ver e sentir toda essa arrebatação.




Procuramos chegar à Opera Garnier, mas estava já escuro, escuro demais para ler as letrinhas miúdas no mapa. Uma multidão impressionante se movimentava nas ruas no horário de pico e, às vezes, não conseguíamos nem achar as placas das ruas. Mas finalmente chegamos lá. É majestoso por demais o edifício e no nosso guia (guia do Viajante na Europa), dizia que é preciso estar MUITO bem-vestido para assistir uma ópera neste teatro. Nem cogitamos imaginar assistir a uma ópera ali porque meu smoking não tinha secado ainda... uia!... Mas visitar o saguão é permitido para qualquer pessoa. É grátis. E é simplesmente fantástico. Ficamos imaginando as pessoas descendo de suas limusines com casacos de pele monumentais, os cavalheiros com suas cartolas e fraques e bengalas. Sei lá... é um lugar perfeito para você demonstrar que tem milhões de euros para gastar e não sabe onde. Não era bem o nosso caso. Mas uma cena foi bem engraçada. Como em todo lugar de visitação da Europa, você tem que abrir sua mochila e mostrar que não é um terrorista disfarçado de turista. Mesmo naquela época pré-2011. Os porteiros da Ópera eram muito bem-humorados e brincavam com todo mundo. Chegou um grupo de japoneses e os porteiros apontavam para a mochila dos japas: “No bomb! No bom!” E davam risadas. Era muito bom ver um pouco de simpatia e humanidade finalmente.

Encerramos as visitação na Igreja de La Madeleine, que parece mais um templo grego com suas colunas monumentais. A construção começou próxima do ano 1764 por Contant d´Ivry, sendo logo reconstruída aplicando um projeto de Guillaume Couture (1777). Durante a Revolução Francesa, as obras foram suspensas – de 1790 a 1805 – e em 1806 La Madeleine transformou-se em Templo Homenagem à Grande Armada, tributo que exerceu até que se acabou de construir o Arco do Triunfo, e ali instalou-se La Tombe du Soldat Inconnu (Túmulo do Soldado Desconhecido), que a sucedeu nessa função. Em 1842 voltou a ser igreja católica, que continua a exercer como função na atualidade. O interior de La Madeleine de Paris não é tão interessante quanto o seu exterior, mas estávamos já bastante cansados e sentamo-nos nos bancos da igreja para descansar e apreciar o seu interior. Infelizmente, como quase todas as igrejas europeias, o seu interior é muito escuro e só se conseguia ver a Madeleine bem iluminada no seu altar central. O cansaço falou mais alto e já estávamos esfomeados. C’est l’heure du dîne.
Foi em Paris que descobrimos os restaurantes orientais e seus pratos baratos e muito saborosos. Naquela noite, jantamos num pequeno chinatown e os donos do restaurante se desdobraram em mil mesuras e gentilezas para que nos sentíssemos bem atendidos. Ficamos fãs da comida chinesa e das criaturas extremamente simpáticas e cordiais que trabalham neles. Essa é uma boa dica para o viajante europeu. Em qualquer lugar da Europa tem um restaurante oriental pronto a lhe tratar como um rei. Comemos tanto, tão bem e por tão pouco que depois disso só jantávamos nos chinas. Até o kebab nós esquecemos.
Bonne nuit!








































































































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